1. Consumir: essencial ou supérfluo?
Consumir é, sim, uma necessidade: para garantir moradia, alimentação, saúde e transporte. Mas também consumimos por segurança, conforto e pertencimento — até mesmo para construir nossa identidade e intelecto por meio de educação, lazer e entretenimento.
2. O que é essencial?
Depende: para alguns, um vinho de R$ 3.000 pode ser essencial; para outros, um exagero. No artigo de hoje, vamos refletir sobre valores como família, espiritualidade, amizade, sustentabilidade, frente ao consumo que busca apenas aparência ou performance.
3. Quando o consumo se torna um problema?
Consumir é saudável, se feito com consciência. O consumismo, ao contrário, é compulsivo e limitador. A oniomania, por exemplo, é o transtorno do consumo compulsivo, geralmente ligado a emoções como ansiedade ou baixa autoestima.
Sinais de alerta incluem:
- Compras impulsivas repetitivas;
- Culpa pós-compra ou esconder itens comprados;
- Endividamento crescente e perda de controle financeiro.
4. O cenário atual no Brasil (2025): dados que merecem atenção
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC:
- Em julho de 2025, 78,5% das famílias brasileiras estavam endividadas
- A inadimplência subiu para 30,0% dos lares, atingindo o maior nível desde setembro de 2023.
- A parcela de famílias que declararam não ter condições de quitar as dívidas também subiu, alcançando 12,7%.
- O cartão de crédito continua sendo a modalidade mais utilizada (84,5%), mas perdeu espaço e carnês de loja ganharam participação (16,8%).
- As famílias de menor renda continuam mais vulneráveis.
- Cerca de 75 milhões de pessoas estavam com nome negativado em fevereiro de 2025, o que impacta o acesso a crédito e pode gerar consequências emocionais negativas.
5. Como reequilibrar consumo e segurança emocional?
a) Racionalização financeira
- Reconhecer o problema e buscar educação financeira via livros, cursos, consultorias.
- Avaliar: preciso disso ou é apenas vaidade?
- Cautela com parcelamentos, especialmente no cartão; prefira dívidas de curto prazo
- Calcule quanto do seu salário isso representa e compare juros e prazos.
b) Autoconhecimento emocional
- Pergunte-se: por que estou comprando isso sem necessidade?
- Procure respostas internas e, se necessário, apoio psicológico.
O consumo é parte da vida, mas o equilíbrio vem da consciência. Seja crítico e priorize o que realmente importa: saúde, família, educação e bem-estar emocional. Dados de 2025 mostram que muitas famílias brasileiras estão no limite, tornando urgente uma postura mais consciente diante do consumo.
Márcia Tolotti
Psicóloga, Psicanalista e Consultora em Psicofinanças desde 2006.